terça-feira, 9 de outubro de 2018

Um erro emocional

Após o livro Beatriz, ficou um gostinho de quero mais, me diverti demais com as peripécias de Bia e descobri que antes de Beatriz existiu "Um erro emocional".
Fiquei uma semana sem leitura a espera dos Correios, mas quando chegou, preparei um chá e fui ao encontro de Beatriz e Paulo Donetti.
Acho que criei grandes expectativas, mas o livro é basicamente um encontro entre o casal, uma noite de pizza, vinho e os pensamentos individuais durante o grande encontro.
Tudo aconteceu quando Paulo Donetti conheceu Beatriz e logo quis contrata-la para que ela o ajudasse com o seus rascunhos de um novo livro.
O livro aborda o que existe por trás de um escritor, e que aquela figura que a gente tanto idealiza nada mais é que um ser humano normal com suas fraquezas e defeitos.
É um livro que aborta os sentimentos humanos, os medos, as sensações, os traumas, que leva o leitor a olhar para o escritor com mais humanidade.
O objetivo do meu blog é fazer vocês lerem mais e para isso acontecer eu me dedico lendo livros para trazer resenhas a vocês, essa semana recebi um livro de uma super escritora Manuela Titoto, um suspense chamado Matéria-prima.
De fato todo mundo fica curioso com uma capa de um livro novinho em folha, imagina se o livro for autografado então?
Em breve novas noticias!




sábado, 22 de setembro de 2018

Beatriz, Cristovão Tezza


Essa semana foi meu aniversário, onde finalizo uma etapa difícil, porem com muitos aprendizados, um ano cheio de realizações, dificuldades, mas maravilhoso em todos os quesitos.
Depois das pesadas leitura sobre a Segunda Guerra Mundial resolvei dar uma aliviada e um pulo em uma leitura diferente, comprei o livro as escuras, em uma promoção paguei R$10,00 no exemplar, fantástico não?!
Beatriz de Cristovão Tezza, tão simples, tão sutil, tão fantástico, escrito de forma simples, coloquial, histórias do dia a dia de Beatriz, uma mulher, cuja inspiração poderia ser qualquer mulher comum com seus medos, problemas e lutas diárias.
Em tempos de pré-eleição, esse livro me levou a grandes reflexões sobre nós mulheres que buscamos nosso espaço no mundo, esse livro só me mostrou o quanto me orgulho em ser mulher, o que não é tarefa fácil, pois trabalho, faço faculdade, leio livros, assisto filmes, vou à academia, pago boletos, escrevo pra vocês, cozinho, cuido da casa e ainda temos que ser magra?
Milhões de coisas que uma mulher normal faz que não tenha glamour, e que a vida é exatamente como as histórias de Beatriz, não as mesmas histórias, mas os acontecimentos, as trapalhadas, as cabeçadas e as paixões que nos levam a quebrar as nossas exigências e padrões que a gente acaba criando mesmo sem querer.
Pessoas inteligentes se atraem por pessoas inteligentes.
Inteligência, forma de pensar, intelectualismo é muito mais beleza que aquela beleza de fora, um rostinho bonito que na hora é legal, mas depois é um pé no saco!
Acho que foi isso que aconteceu com Beatriz, aquele tabu de "ai ele tem tatuagem e eu não gosto" "ai ele fuma e eu também não gosto" ah, mas ele me faz sentir o que outros não conseguiram fazer, e todo aquele emaranhado de tabus e medos caem por terra. Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra, e foi assim que eu terminei esse livro fantástico!
Feliz por me colocar no lugar de Beatriz e deixar que ela seja feliz, da mesma forma que sou, mas triste por ter terminado o livro, porque ficou um buraco sem ela.
Mas de uma forma ou de outra eu fiz mais uma amiga, e pude me apaixonar por Cristovão Tezza, Curitibano, Brasileiro, escritor e hoje eu sei mais sobre Beatriz e Paulo Donetti do que eu sabia antes de ler a primeira página.

Feliz primavera, feliz ano novo, um beijo!


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O dia seguinte


Nesse período pós guerra era comum casais separados, crianças órfãs, pessoas desabrigadas, luta pela sobrevivência e o principal de todos: fome.
O país ficou sob o controle militar dos Aliados, e o livro retrata exatamente isso, alemães saindo de suas casas para dar moradia ao Ingleses que vieram tentar "consertar" tudo que foi arruinado.
A inocência e infância roubada de diversas crianças que estão nas ruas em busca de sobrevivência, e o nosso incrível personagem Edmund com apenas 11 anos sabendo diferenciar o certo do errado, na qual inocentemente, mas sorrateiramente querendo ajudar os meninos de rua e a preocupação do bem estar do professor particular, a forma como o autor aborda o menino, me fez viajar e imaginar esse Edmund igualzinho ao Edmundo das Cronicas de Narnia que por coincidência ou não era também esperto e destemido.
Fiquei fascinada com os detalhes do autor, as descrições e até as indiscrições do ejaculamento precoce de Lewis, o que faz o leitor entrar em uma viagem total, os quadros e pinturas na casa onde Rachel volta a tocar piano, o pão com manteiga e ovos que Frieda apreciava pela manhã.
Setembro de 1946, Rachel se muda junto com o filho Edmund para Hamburgo reencontrar com pai e marido Lewis Morgan, onde irão morar em uma mansão as margens do Rio Elba, naquela época os britânicos estavam solicitando as casas dos alemães para viverem e tentarem retomar o país pós guerra, mas Lewis que era sensato, correto e compreensivo, entra em um acordo com o proprietário do imóvel, Herr Lubert, arquiteto, viúvo e pai de Frieda uma jovem um tanto esquisita, o acordo de Lewis e Lubert era para que eles dividissem a casa, que na verdade era uma mansão com três funcionários, diversas obras de artes e um bom gosto impecável.
A gente se questiona muito o porque de certas coisas na vida da gente, mas só nos podemos julgar o que é certo ou errado, e mesmo o errado pode ser certo em determinados momentos em nossas vidas, porque a vida é uma eterna ligação que muitas vezes não pode fazer sentido naquele momento, mas que no final tudo fica bem, e tudo faz sentido.




segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Jardim de Inverno


Jardim de Inverno, Kristin Hannah
Às vezes me encontro em uma relação de amor e ódio com alguns livros, mas no final eu sempre me emociono e fico pensando nas lições que eu tirei da leitura.
As primeiras cem páginas desse livro, eu não conseguia entrar dentro da história, e até o final do livro não consegui me apegar muito aos personagens, tive grande afeição por Meredith mas nada que me fizesse parar e ficar pensando nela, como acontece com outras leituras.
Por coincidência a copa do mundo que terminou a pouco e se passou na Russia onde Anya conta o seu emocionante relato sobre a Segunda Guerra mundial na cidade de Leningrado hoje atual St. Petersburg.
Nossas vidas, são marcadas por capítulos, momentos bons e ruins e a melhor forma de superar os momentos ruins é o amor, e acima de tudo o perdão, perdoar-se e perdoar o próximo.
Por muitas páginas me questionei respeito da personagem Anya, porque ela teve as filhas? porque ela as tratava tão friamente? Porque ela não conseguia ser uma mãe amável com Meredith e Nina? Será que ela não percebeu o trauma que causou nas filhas durante a infância, o que acarretou para a vida adulta?
Evan, pai de Meredith e Nina que foi sempre o elo da família, vem a falecer e ele pede para que as meninas façam a mãe contar o "conto de fadas" que nada mais é que o relato da própria vida escondida.
Por muita insistência de Nina, Anya se rende e começa a contar, de quando era jovem e tinha grandes sonhos com o seu grande amor Sasha, mas no meio da guerra os sonhos foram por agua abaixo, onde a sobrevivência era a principal luta diária na vida deles, já tinham dois filhos uma menina de 5 anos e um menino de 4 anos.
Embora o relato seja muito emocionante, a autora deixou o relato para o final do livro, o que me deixou um pouco cansada com o mistério que havia por trás de Anya a mulher fria o tempo todo.
Em meio as vivencias do dia a dia Meredith cuidava dos negócios da família, era casada com Jeff seu único e verdadeiro amor e tinha duas filhas que estavam estudando fora, e apesar do seu casamento estar um desastre ela consegue dar força para a história que nos é apresentada em terceira pessoa.
Nina que foi sempre desapegada e irmã mais nova, se tornou uma incrível fotojornalista de renome, em busca da melhores histórias através da fotografia, ela viajava para África sem precedentes.
Em apenas um livro temos duas histórias a atual e o passado de Anya que a assombra pelo presente, talvez Anya se arrependa muito por ter guardado o passado consigo, ou talvez esse era o destino dela, mas ela nos dá uma das maiores lições que a gente sabe, mas as vezes esquece: que nunca é tarde para nada, sempre existe segunda chance.
Com um final surpreendente que supera qualquer falha da escritora ou até mesmo o tempo que ela achou necessário para nos levar ao grande triunfo.
Não foi a minha leitura preferida do ano, mas valeu ir até o final.

Se você ler esse livro, não deixe e procurar as referências:

Cachorros de Meredith Luke e Leia (personagens do filme Star Wars)
Música preferida de:

Anya: Somewhere over the rainbow
Meredith: Candle in the wind, versão Lady Di
Nina: Born To be Wind

Os relatos de St. Petersburg, e as descrições das cidades, segue abaixo em fotos para degustação.

Um grande abraço a todos os leitores (a) e muito obrigada pela interação no ultimo post, vocês são imprescindíveis para que eu continue mantendo o blog vivo.

Fontaka, canal do Rio Neva

Jardim de Verão

Rio Neva

Cavaleiro de Bronze

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Fim de Caso, Graham Greene


O livro que terminei de ler, foi indicação de um professor de literatura que sigo no Instagram, o romance foi escrito em 1951 por Graham Greene que tem uma pegada meio mistério, suspense.
Foi uma saga encontrar o livro, já que não tem mais para vender em livrarias, aí recorri a um sebo, e consegui comprar, além de conseguir comprar o livro, conheci um sebo incrível que se chama Sebo Mania de Cultura e Livraria (patrocina eu) em Ribeirão Preto, o sebo é muito organizado, tem filmes, música, livros impecáveis etc.
Estava vindo trabalhar pensando em como começaria a resenha desse livro, como eu iria descrever o amor entre Maurice e Sarah, mas sabe aquela música do Caetano Veloso "nosso estranho amor", se você nunca escutou sugiro que escute, essa música deveria ser tema desse livro.
Já li vários romances, várias histórias de amor, mas essa em especial é de Maurice Bendrix, Sarah Miles e Henry Miles, o triangulo amoroso mais humano e mais bem escrito que já li.
Maurice é um escritor que se apaixona por Sarah que é casada com Henry que trabalha para o governo inglês, apesar de ambos não terem a intenção de se apaixonar o livro começa com Maurice falando do ódio que sente por Sarah e Henry e pelo fim do caso, pela destruição que Sarah o causou, Maurice é um tanto demasiado e humano, é escrito como se eu pudesse ver o tatear dos dedos de Maurice na máquina de escrever.
A cada página era como se eu estivesse sofrendo as dores de Maurice e também de Sarah, se a intenção de Graham era provocar dor no leitor ele conseguiu de forma sutil e sem preocupação de entrar nas dores dos personagens, nos mistérios, na religião, na falta de crença que consistia em cada um deles.
Acredito que o ardente romance de Sarah e Maurice começou desde o primeiro instante em que se virão, Maurice foi conhecer Henry para se inspirar em um dos seus personagens do novo livro, mas não esperava conhecer Sarah que já o conhecia como escritor, mas que o tratou como um ser humano e não como um mero escritor.
Após um tempo juntos, e Sarah provavelmente não iria deixar Henry tão cedo, por questões emocionais e também financeiras já que Maurice ganha menos do que merecia pelas suas publicações, as questões dos ciúmes do amante das obcecações entre outras coisas poderia causar o afastamento da moça, porem em um dos encontros as escondidas, uma bomba nazista cai no apartamento de Maurice, e o atingi dando a entender que ele estava morto.
Sarah que era descrente de religião e divindades, recorre a Deus para salva-lo fazendo uma promessa que mais tarde custaria muito caro cumpri-la, ela prometeria deixar o amante, caso ele vivesse, e ele vive e ela vai embora para sempre.
Com sua fé ou falta de fé Sarah questiona muito a Deus dos porquês da vida, das questões que ela precisou passar na vida, pra que e porque ela deveria passar por tudo aquilo? não seria injusto demais?
Em um dos primeiros capítulos do livro Maurice e Henry se encontra, pois os dois eram bem próximos um do outro, e Henry nunca desconfiou de nada, sempre achou que a relação de Maurice e Sarah era apenas amizade. Nesse encontro Henry declara estar achando Sarah estranha, e a partir daí o marido suspeita de algum amante, menos de Maurice, que até então era ex-amante.
Maurice terrivelmente sofrendo de ódio por ter sido largado e sem saber o real motivo porque foi abandonado pela amante, contrata um detetive particular, desconfiando que ela tenha um novo amante e aí entra a personificação diversas de Sarah e Maurice.
Parkis,o detetive simpatiza-se por Sarah que era um moça intrínseca e rouba o diário dela, descobrindo toda a verdade do possível "amante" que venha ser nada menos mais decepcionante que "Ele' o próprio Deus.
Talvez o final não tenha sido tão feliz, como em outros romances, o ciúme pode ser um obsessão sem fim do personagem ou apenas uma verdade exagerada, mas de uma coisa tenho certeza que Sarah era um ser humano com o coração puro e muito bom, mesmo com o adultério e as mentiras nada poderia tirar a bondade que havia dentro dela.
A história só foi tão real, viva e humanizada porque o próprio escritor Graham Greene viveu um romance avassalador como dos personagens.
Embora tenha amado e deslanchado na leitura, senti falta de algumas descrições físicas dos personagens, mas quem sou eu para indagar Graham Greene?


Uma das versões de Fim de Caso do cinema (Sarah e Maurice).




segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Paciente Inglês


Cortar o cabelo é libertador e de alguma forma eu me inspirei em Hana quando ela corta os cabelos em um dos trechos do livro.
Em um domingo de tédio, assisti ao filme ganhador de nove Oscars, "O paciente Inglês."
Pensei que seria só mais um filme, mas quando vi, já tinha me apaixonado pelo paciente inglês.
Comprei o livro e decolei nessa leitura, sem dúvidas não é um livro fácil de se ler, o livro ao contrário do filme é contado às avessas, Michael Ondaatje é uma autor moderno, e as fragmentadas passagens do livro você que tem que ir encaixando no decorrer da leitura, é preciso entrega do leitor para adentrar-se nessa obra.
Situados na Itália em uma Villa no final da segunda guerra mundial, temos Hana a enfermeira, que fica cuidando de um paciente horrivelmente queimado em um acidente aéreo, enquanto vê todos partirem para destinos diferentes pós guerra.
Hana se enterra em seus próprios problemas depois de perder o pai, o namorado e ainda um bebê que estava esperando durante a guerra, e vê o paciente inglês como uma fuga para si, alguém com quem possa cuidar, ouvir e descobrir os seus mistérios por traz daquele rosto desfigurado e queimado.
Em seguida chega Caravaggio um velho amigo do pai de Hanna um espião que teve os polegares cortados quando foi preso, e Kip o sapador e mestre em desarmar bombas deixada pelos nazistas.
Em um único livro é possível encontrar vários mundos, Hana por sua vez canadense, Kip um sikh indiano que usava turbante e tinha pele morena, e o paciente inglês que mais tarde Caravaggio o reconhece e conta a Hana que ele tinha certeza que o paciente inglês não era inglês e sim um Húngaro chamado Almásy que trabalhava para alemães durante a segunda guerra.
Entre uma dose de morfina e outra Almásy conta sobre o romance que teve durante suas expedições com Katharine Clifton, que foi para o deserto junto com o marido Geoffrey Clifton ainda em clima de lua de mel, mesmo tendo evitado esse amor, o homem com os cabelos cor de palha e olhos claros, de alguma forma penetrava o coração da jovem recém casada, um amor doloroso, proibido e que foi vivido, mesmo tendo sido evitado, não foi possível passar por algo tão puro, tão doce e tão sutil como o que um sentia pelo outro.
Se amar é pecado os dois pecaram, ela cometeu o adultério, mas amaram profundamente um ao outro, um amor que chegava a doer.
Katharine, amava Almásy como nunca amou outro homem, como nunca conseguiu amar Clifton, a ponto de quer ser dona dele, de marcar a sua pele como uma propriedade, Almásy que não gostava de posse se viu dela, o tempo inteiro, pensando nela e vivendo para ela.
Em um certo momento eles precisam se afastar e acabar com romance e esse é o meu trecho preferido de todo o livro, de certa forma achei muito romântico:

Agora não há beijos. Só abraço. Ele se desvencilha dos braços dela e se afasta, depois se vira. Ela ainda está lá. Ele volta alguns metros dela, o dedo estendido para frisar uma ideia.
"Só quero que saiba de uma coisa. Ainda não sinto falta você."
(...)
"Mas vai sentir, ela diz."

É um livro repleto de referências, cheio de histórias, pausas, frases desconectas, permite que o leitor preencha algumas lacunas deixadas de forma que a história vai fazendo sentindo no decorrer da leitura, o livro que Almásy carrega com citações de Heródoto é o tempo todo citado no livro, não é um simples livro é uma bíblia de suas expedições no Cairo, com mapas e anotações pessoais.
Michael Ondaatje te adentra a história, de forma que o leitor testemunhe as histórias contadas por cada personagem, como a solidão de cada um e suas inquietações são trazidas para cada parte nos proporcionando viver tudo, sem dúvida esse foi uma das minhas melhores leituras nesse ano.
O final do filme e do livro são diferentes, o livro te deixa lacunas, algo que eu já esperava e não me decepcionei, em certo momento quase no final do livro temos certa tensão, que fiquei até preocupada com algo terrível que poderia acontecer.
O romance entre Hana e Kip, os afrescos italianos, as noites de Caravaggio na janela pensativo, as histórias do paciente inglês, as músicas citadas e dançadas pelos personagens, todas presentes de uma forma linear e fantástica, faz com que o livro seja algo diferente de tudo que já tinha lido.
A cada capitulo pesquisava as referências literárias, lia o livro escutando as músicas citadas, e fui capaz de me apaixonar ainda mais.
O cinema é a uma das maiores obras primas do homem, ele te faz ver exatamente aquilo que você imagina, o filme não decepcionada e vai fundo no romance de Almásy e Katherine, deixando até um pouco de lado a fantástica história de Kip, e de como desarmar uma bomba é mais difícil do que se imagina.
Se alguém tinha dúvida de que todo mundo sabia do romance de Katharine e Almásy menos o marido Geoffrey, ele mostra que um marido traído e furioso é capaz de coisas terríveis, e assim termina o romance, de forma trágica, com a morte de Geoffrey tendo causado a queda do avião com Katherine abordo, frente a Almásy para que ele sofra com a perda da amante, mas ela fica apenas ferida e é levada para um caverna, mas também não resiste, e por fim Almásy também fica à beira da morte e todo desfigurado.
A relação da enfermeira com o homem queimado é revelado no final do livro, ela revela em uma carta para madrasta que o pai havia sido morto, queimado, como Almásy durante a guerra, esse é o refugo de Hana com o paciente inglês, cuidar dele como poderia ter feito com o próprio pai.
Tentei ser o mais transparente e fiel possível ao escrever essa resenha, como me apaixonei muito por Almásy, é possível que eu tenha puxado mais para o lado dele durante a escrita, mas quero deixar claro que é um livro difícil de se ler, um livro para ler com calma e atenção.
Recomendo a leitura e também a assistir ao filme, mas vou deixar bem claro que é possível que você odeie profundamente, ou se apaixone perdidamente assim como eu, é uma história simples, mas com personagens incríveis.
Só não me pergunte porque me apaixonei tanto assim.




O paciente inglês


O paciente inglês


Caravaggio

Kip e Hana

Kip

            Almásy e Katharine 


Hana

    Almásy e Katharine


            Almásy - O paciente inglês


           Katharine


      Almásy 


                       Almásy e Katharine


   Almásy 



            Almásy e Katharine




                         Almásy 


Poster do filme



quinta-feira, 28 de junho de 2018

Mulheres sem nome

O livro conta três histórias de guerra, três mulheres e seus papeis na guerra: Caroline uma Socialite que trabalhava no consulado Francês em Nova York, Herta a médica recém- formada que encontra uma vaga de trabalho em  Ravensbrück como cirurgiã a serviço de experiências médicas de Hitler,
Kasia Kuzmerick que perde parte de sua vida em um campo de concentração Ravensbrück e é vítima de experiências médicas.
Desde a primeira página do livro já tinha amado Caroline, a autora consegue transmitir uma beleza nela, uma socialite fina, ex-atriz que poderia ficar sentada no seu jardim e esperar que a guerra passasse, mas ela fez justamente ao contrário, ajudou milhares de crianças e se envolveu em muitos casos de caridade, ela dedicou a vida a atividades sociais e culturais em prol dos necessitados.
A princípio quando Herta Oberheuser foi para Ravensbrück ela não estava sabendo muito o que iria fazer por lá, acredito que foi até ingênua nos primeiros capítulos, achando que iria exercer sua profissão de médica de forma clara e transparente, mas também ela teve oportunidade de largar tudo e voltar para casa assim que soube dos horrores que causaria nas pessoas.
Durante a leitura nos capítulos de Herta eu tinha vontade de entrar dentro do livro e dar uns tapas nela, para ver se ela acordava pra vida e se lembrava que a medicina era para ajudar as pessoas e não sacrifica-las.
Ao final do livro, para minha surpresa descubro que Herta Oberheuser infelizmente existiu e foi julgada a cumprir pena de 20 anos em uma prisão, ela realizou 86 experiências médicas com sulfanilamidas, regeneração de nervos e enxertos ósseos, provocando dor nas mulheres que nem morfina ajudava a melhorar, fora as crianças saudáveis que também morreram nas mãos dela.
Kasia Kuzmerick foi vítima das experiências médicas que aconteceu no campo de concentração, juntamente com a sua irmã Zuzanna e outras garotas, Kasia perdeu parte da adolescência por causa da guerra, mas em nenhum momento deixou de pensar em Pietrik seu grande amor, os capítulos de Kasia eram o mais tristes de serem lidos, pesados e de arrepiar. As dores da cirurgia era possível sentir em cada palavra, apesar de pesado gostava de ler Kasia dizendo que sentia saudades de Matka (sua mãe), que também estava no campo de concentração, porem havia sido transferida para trabalhar como enfermeira e era uma artista nato, pintava retrato de nazista como ninguém.
Eu amava os capítulos de Caroline, com o romance ficou ainda mais legal e divertido, Paul Rodierre na minha mente era uma homem gentil, alto, magro e engraçado.
A autora soube intercalar os capítulos pesados de Kasia, com as suaves pagina de Caroline, e o ponto de vista de Herta.
Cada pessoa se posiciona de uma forma durante uma guerra e para sobrevivência de quem amamos, somos capazes de coisas terríveis.
Confesso que a capa do livro me enganou bem, pensei que o encontro delas seria diferente, mas também não foi tão decepcionante assim, esperava um final diferente para elas, mas a autora foi fiel a verdade.
A questão da Herta participar de todas as experiências é algo intrigante, porem cultural, nada justifica o que ela fez, mas existe cultura e hitlerismo por volta da vida da personagem.

Herta Oberheuser em julgamento.

Caroline Ferriday
Ravensbrück