segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Jardim de Inverno


Jardim de Inverno, Kristin Hannah
Às vezes me encontro em uma relação de amor e ódio com alguns livros, mas no final eu sempre me emociono e fico pensando nas lições que eu tirei da leitura.
As primeiras cem páginas desse livro, eu não conseguia entrar dentro da história, e até o final do livro não consegui me apegar muito aos personagens, tive grande afeição por Meredith mas nada que me fizesse parar e ficar pensando nela, como acontece com outras leituras.
Por coincidência a copa do mundo que terminou a pouco e se passou na Russia onde Anya conta o seu emocionante relato sobre a Segunda Guerra mundial na cidade de Leningrado hoje atual St. Petersburg.
Nossas vidas, são marcadas por capítulos, momentos bons e ruins e a melhor forma de superar os momentos ruins é o amor, e acima de tudo o perdão, perdoar-se e perdoar o próximo.
Por muitas páginas me questionei respeito da personagem Anya, porque ela teve as filhas? porque ela as tratava tão friamente? Porque ela não conseguia ser uma mãe amável com Meredith e Nina? Será que ela não percebeu o trauma que causou nas filhas durante a infância, o que acarretou para a vida adulta?
Evan, pai de Meredith e Nina que foi sempre o elo da família, vem a falecer e ele pede para que as meninas façam a mãe contar o "conto de fadas" que nada mais é que o relato da própria vida escondida.
Por muita insistência de Nina, Anya se rende e começa a contar, de quando era jovem e tinha grandes sonhos com o seu grande amor Sasha, mas no meio da guerra os sonhos foram por agua abaixo, onde a sobrevivência era a principal luta diária na vida deles, já tinham dois filhos uma menina de 5 anos e um menino de 4 anos.
Embora o relato seja muito emocionante, a autora deixou o relato para o final do livro, o que me deixou um pouco cansada com o mistério que havia por trás de Anya a mulher fria o tempo todo.
Em meio as vivencias do dia a dia Meredith cuidava dos negócios da família, era casada com Jeff seu único e verdadeiro amor e tinha duas filhas que estavam estudando fora, e apesar do seu casamento estar um desastre ela consegue dar força para a história que nos é apresentada em terceira pessoa.
Nina que foi sempre desapegada e irmã mais nova, se tornou uma incrível fotojornalista de renome, em busca da melhores histórias através da fotografia, ela viajava para África sem precedentes.
Em apenas um livro temos duas histórias a atual e o passado de Anya que a assombra pelo presente, talvez Anya se arrependa muito por ter guardado o passado consigo, ou talvez esse era o destino dela, mas ela nos dá uma das maiores lições que a gente sabe, mas as vezes esquece: que nunca é tarde para nada, sempre existe segunda chance.
Com um final surpreendente que supera qualquer falha da escritora ou até mesmo o tempo que ela achou necessário para nos levar ao grande triunfo.
Não foi a minha leitura preferida do ano, mas valeu ir até o final.

Se você ler esse livro, não deixe e procurar as referências:

Cachorros de Meredith Luke e Leia (personagens do filme Star Wars)
Música preferida de:

Anya: Somewhere over the rainbow
Meredith: Candle in the wind, versão Lady Di
Nina: Born To be Wind

Os relatos de St. Petersburg, e as descrições das cidades, segue abaixo em fotos para degustação.

Um grande abraço a todos os leitores (a) e muito obrigada pela interação no ultimo post, vocês são imprescindíveis para que eu continue mantendo o blog vivo.

Fontaka, canal do Rio Neva

Jardim de Verão

Rio Neva

Cavaleiro de Bronze

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Fim de Caso, Graham Greene


O livro que terminei de ler, foi indicação de um professor de literatura que sigo no Instagram, o romance foi escrito em 1951 por Graham Greene que tem uma pegada meio mistério, suspense.
Foi uma saga encontrar o livro, já que não tem mais para vender em livrarias, aí recorri a um sebo, e consegui comprar, além de conseguir comprar o livro, conheci um sebo incrível que se chama Sebo Mania de Cultura e Livraria (patrocina eu) em Ribeirão Preto, o sebo é muito organizado, tem filmes, música, livros impecáveis etc.
Estava vindo trabalhar pensando em como começaria a resenha desse livro, como eu iria descrever o amor entre Maurice e Sarah, mas sabe aquela música do Caetano Veloso "nosso estranho amor", se você nunca escutou sugiro que escute, essa música deveria ser tema desse livro.
Já li vários romances, várias histórias de amor, mas essa em especial é de Maurice Bendrix, Sarah Miles e Henry Miles, o triangulo amoroso mais humano e mais bem escrito que já li.
Maurice é um escritor que se apaixona por Sarah que é casada com Henry que trabalha para o governo inglês, apesar de ambos não terem a intenção de se apaixonar o livro começa com Maurice falando do ódio que sente por Sarah e Henry e pelo fim do caso, pela destruição que Sarah o causou, Maurice é um tanto demasiado e humano, é escrito como se eu pudesse ver o tatear dos dedos de Maurice na máquina de escrever.
A cada página era como se eu estivesse sofrendo as dores de Maurice e também de Sarah, se a intenção de Graham era provocar dor no leitor ele conseguiu de forma sutil e sem preocupação de entrar nas dores dos personagens, nos mistérios, na religião, na falta de crença que consistia em cada um deles.
Acredito que o ardente romance de Sarah e Maurice começou desde o primeiro instante em que se virão, Maurice foi conhecer Henry para se inspirar em um dos seus personagens do novo livro, mas não esperava conhecer Sarah que já o conhecia como escritor, mas que o tratou como um ser humano e não como um mero escritor.
Após um tempo juntos, e Sarah provavelmente não iria deixar Henry tão cedo, por questões emocionais e também financeiras já que Maurice ganha menos do que merecia pelas suas publicações, as questões dos ciúmes do amante das obcecações entre outras coisas poderia causar o afastamento da moça, porem em um dos encontros as escondidas, uma bomba nazista cai no apartamento de Maurice, e o atingi dando a entender que ele estava morto.
Sarah que era descrente de religião e divindades, recorre a Deus para salva-lo fazendo uma promessa que mais tarde custaria muito caro cumpri-la, ela prometeria deixar o amante, caso ele vivesse, e ele vive e ela vai embora para sempre.
Com sua fé ou falta de fé Sarah questiona muito a Deus dos porquês da vida, das questões que ela precisou passar na vida, pra que e porque ela deveria passar por tudo aquilo? não seria injusto demais?
Em um dos primeiros capítulos do livro Maurice e Henry se encontra, pois os dois eram bem próximos um do outro, e Henry nunca desconfiou de nada, sempre achou que a relação de Maurice e Sarah era apenas amizade. Nesse encontro Henry declara estar achando Sarah estranha, e a partir daí o marido suspeita de algum amante, menos de Maurice, que até então era ex-amante.
Maurice terrivelmente sofrendo de ódio por ter sido largado e sem saber o real motivo porque foi abandonado pela amante, contrata um detetive particular, desconfiando que ela tenha um novo amante e aí entra a personificação diversas de Sarah e Maurice.
Parkis,o detetive simpatiza-se por Sarah que era um moça intrínseca e rouba o diário dela, descobrindo toda a verdade do possível "amante" que venha ser nada menos mais decepcionante que "Ele' o próprio Deus.
Talvez o final não tenha sido tão feliz, como em outros romances, o ciúme pode ser um obsessão sem fim do personagem ou apenas uma verdade exagerada, mas de uma coisa tenho certeza que Sarah era um ser humano com o coração puro e muito bom, mesmo com o adultério e as mentiras nada poderia tirar a bondade que havia dentro dela.
A história só foi tão real, viva e humanizada porque o próprio escritor Graham Greene viveu um romance avassalador como dos personagens.
Embora tenha amado e deslanchado na leitura, senti falta de algumas descrições físicas dos personagens, mas quem sou eu para indagar Graham Greene?


Uma das versões de Fim de Caso do cinema (Sarah e Maurice).




segunda-feira, 9 de julho de 2018

O Paciente Inglês


Cortar o cabelo é libertador e de alguma forma eu me inspirei em Hana quando ela corta os cabelos em um dos trechos do livro.
Em um domingo de tédio, assisti ao filme ganhador de nove Oscars, "O paciente Inglês."
Pensei que seria só mais um filme, mas quando vi, já tinha me apaixonado pelo paciente inglês.
Comprei o livro e decolei nessa leitura, sem dúvidas não é um livro fácil de se ler, o livro ao contrário do filme é contado às avessas, Michael Ondaatje é uma autor moderno, e as fragmentadas passagens do livro você que tem que ir encaixando no decorrer da leitura, é preciso entrega do leitor para adentrar-se nessa obra.
Situados na Itália em uma Villa no final da segunda guerra mundial, temos Hana a enfermeira, que fica cuidando de um paciente horrivelmente queimado em um acidente aéreo, enquanto vê todos partirem para destinos diferentes pós guerra.
Hana se enterra em seus próprios problemas depois de perder o pai, o namorado e ainda um bebê que estava esperando durante a guerra, e vê o paciente inglês como uma fuga para si, alguém com quem possa cuidar, ouvir e descobrir os seus mistérios por traz daquele rosto desfigurado e queimado.
Em seguida chega Caravaggio um velho amigo do pai de Hanna um espião que teve os polegares cortados quando foi preso, e Kip o sapador e mestre em desarmar bombas deixada pelos nazistas.
Em um único livro é possível encontrar vários mundos, Hana por sua vez canadense, Kip um sikh indiano que usava turbante e tinha pele morena, e o paciente inglês que mais tarde Caravaggio o reconhece e conta a Hana que ele tinha certeza que o paciente inglês não era inglês e sim um Húngaro chamado Almásy que trabalhava para alemães durante a segunda guerra.
Entre uma dose de morfina e outra Almásy conta sobre o romance que teve durante suas expedições com Katharine Clifton, que foi para o deserto junto com o marido Geoffrey Clifton ainda em clima de lua de mel, mesmo tendo evitado esse amor, o homem com os cabelos cor de palha e olhos claros, de alguma forma penetrava o coração da jovem recém casada, um amor doloroso, proibido e que foi vivido, mesmo tendo sido evitado, não foi possível passar por algo tão puro, tão doce e tão sutil como o que um sentia pelo outro.
Se amar é pecado os dois pecaram, ela cometeu o adultério, mas amaram profundamente um ao outro, um amor que chegava a doer.
Katharine, amava Almásy como nunca amou outro homem, como nunca conseguiu amar Clifton, a ponto de quer ser dona dele, de marcar a sua pele como uma propriedade, Almásy que não gostava de posse se viu dela, o tempo inteiro, pensando nela e vivendo para ela.
Em um certo momento eles precisam se afastar e acabar com romance e esse é o meu trecho preferido de todo o livro, de certa forma achei muito romântico:

Agora não há beijos. Só abraço. Ele se desvencilha dos braços dela e se afasta, depois se vira. Ela ainda está lá. Ele volta alguns metros dela, o dedo estendido para frisar uma ideia.
"Só quero que saiba de uma coisa. Ainda não sinto falta você."
(...)
"Mas vai sentir, ela diz."

É um livro repleto de referências, cheio de histórias, pausas, frases desconectas, permite que o leitor preencha algumas lacunas deixadas de forma que a história vai fazendo sentindo no decorrer da leitura, o livro que Almásy carrega com citações de Heródoto é o tempo todo citado no livro, não é um simples livro é uma bíblia de suas expedições no Cairo, com mapas e anotações pessoais.
Michael Ondaatje te adentra a história, de forma que o leitor testemunhe as histórias contadas por cada personagem, como a solidão de cada um e suas inquietações são trazidas para cada parte nos proporcionando viver tudo, sem dúvida esse foi uma das minhas melhores leituras nesse ano.
O final do filme e do livro são diferentes, o livro te deixa lacunas, algo que eu já esperava e não me decepcionei, em certo momento quase no final do livro temos certa tensão, que fiquei até preocupada com algo terrível que poderia acontecer.
O romance entre Hana e Kip, os afrescos italianos, as noites de Caravaggio na janela pensativo, as histórias do paciente inglês, as músicas citadas e dançadas pelos personagens, todas presentes de uma forma linear e fantástica, faz com que o livro seja algo diferente de tudo que já tinha lido.
A cada capitulo pesquisava as referências literárias, lia o livro escutando as músicas citadas, e fui capaz de me apaixonar ainda mais.
O cinema é a uma das maiores obras primas do homem, ele te faz ver exatamente aquilo que você imagina, o filme não decepcionada e vai fundo no romance de Almásy e Katherine, deixando até um pouco de lado a fantástica história de Kip, e de como desarmar uma bomba é mais difícil do que se imagina.
Se alguém tinha dúvida de que todo mundo sabia do romance de Katharine e Almásy menos o marido Geoffrey, ele mostra que um marido traído e furioso é capaz de coisas terríveis, e assim termina o romance, de forma trágica, com a morte de Geoffrey tendo causado a queda do avião com Katherine abordo, frente a Almásy para que ele sofra com a perda da amante, mas ela fica apenas ferida e é levada para um caverna, mas também não resiste, e por fim Almásy também fica à beira da morte e todo desfigurado.
A relação da enfermeira com o homem queimado é revelado no final do livro, ela revela em uma carta para madrasta que o pai havia sido morto, queimado, como Almásy durante a guerra, esse é o refugo de Hana com o paciente inglês, cuidar dele como poderia ter feito com o próprio pai.
Tentei ser o mais transparente e fiel possível ao escrever essa resenha, como me apaixonei muito por Almásy, é possível que eu tenha puxado mais para o lado dele durante a escrita, mas quero deixar claro que é um livro difícil de se ler, um livro para ler com calma e atenção.
Recomendo a leitura e também a assistir ao filme, mas vou deixar bem claro que é possível que você odeie profundamente, ou se apaixone perdidamente assim como eu, é uma história simples, mas com personagens incríveis.
Só não me pergunte porque me apaixonei tanto assim.




O paciente inglês


O paciente inglês


Caravaggio

Kip e Hana

Kip

            Almásy e Katharine 


Hana

    Almásy e Katharine


            Almásy - O paciente inglês


           Katharine


      Almásy 


                       Almásy e Katharine


   Almásy 



            Almásy e Katharine




                         Almásy 


Poster do filme



quinta-feira, 28 de junho de 2018

Mulheres sem nome

O livro conta três histórias de guerra, três mulheres e seus papeis na guerra: Caroline uma Socialite que trabalhava no consulado Francês em Nova York, Herta a médica recém- formada que encontra uma vaga de trabalho em  Ravensbrück como cirurgiã a serviço de experiências médicas de Hitler,
Kasia Kuzmerick que perde parte de sua vida em um campo de concentração Ravensbrück e é vítima de experiências médicas.
Desde a primeira página do livro já tinha amado Caroline, a autora consegue transmitir uma beleza nela, uma socialite fina, ex-atriz que poderia ficar sentada no seu jardim e esperar que a guerra passasse, mas ela fez justamente ao contrário, ajudou milhares de crianças e se envolveu em muitos casos de caridade, ela dedicou a vida a atividades sociais e culturais em prol dos necessitados.
A princípio quando Herta Oberheuser foi para Ravensbrück ela não estava sabendo muito o que iria fazer por lá, acredito que foi até ingênua nos primeiros capítulos, achando que iria exercer sua profissão de médica de forma clara e transparente, mas também ela teve oportunidade de largar tudo e voltar para casa assim que soube dos horrores que causaria nas pessoas.
Durante a leitura nos capítulos de Herta eu tinha vontade de entrar dentro do livro e dar uns tapas nela, para ver se ela acordava pra vida e se lembrava que a medicina era para ajudar as pessoas e não sacrifica-las.
Ao final do livro, para minha surpresa descubro que Herta Oberheuser infelizmente existiu e foi julgada a cumprir pena de 20 anos em uma prisão, ela realizou 86 experiências médicas com sulfanilamidas, regeneração de nervos e enxertos ósseos, provocando dor nas mulheres que nem morfina ajudava a melhorar, fora as crianças saudáveis que também morreram nas mãos dela.
Kasia Kuzmerick foi vítima das experiências médicas que aconteceu no campo de concentração, juntamente com a sua irmã Zuzanna e outras garotas, Kasia perdeu parte da adolescência por causa da guerra, mas em nenhum momento deixou de pensar em Pietrik seu grande amor, os capítulos de Kasia eram o mais tristes de serem lidos, pesados e de arrepiar. As dores da cirurgia era possível sentir em cada palavra, apesar de pesado gostava de ler Kasia dizendo que sentia saudades de Matka (sua mãe), que também estava no campo de concentração, porem havia sido transferida para trabalhar como enfermeira e era uma artista nato, pintava retrato de nazista como ninguém.
Eu amava os capítulos de Caroline, com o romance ficou ainda mais legal e divertido, Paul Rodierre na minha mente era uma homem gentil, alto, magro e engraçado.
A autora soube intercalar os capítulos pesados de Kasia, com as suaves pagina de Caroline, e o ponto de vista de Herta.
Cada pessoa se posiciona de uma forma durante uma guerra e para sobrevivência de quem amamos, somos capazes de coisas terríveis.
Confesso que a capa do livro me enganou bem, pensei que o encontro delas seria diferente, mas também não foi tão decepcionante assim, esperava um final diferente para elas, mas a autora foi fiel a verdade.
A questão da Herta participar de todas as experiências é algo intrigante, porem cultural, nada justifica o que ela fez, mas existe cultura e hitlerismo por volta da vida da personagem.

Herta Oberheuser em julgamento.

Caroline Ferriday
Ravensbrück


terça-feira, 26 de junho de 2018

O Rouxinol

Já cogitei a possibilidade de ter uma filha chamada Sophie, só por causa desse livro.
Esse livro me acompanhou durante a viagem que fiz em Maio, foi um livro intenso o tempo todo, me prendeu e foi uma leitura que tive grande facilidade de me envolver profundamente com as personagens.
A história é de duas irmãs Vianne e Isabelle na França ocupada pelos nazista em um período histórico, difícil e doloroso, onde é contado por uma das irmãs, e você só descobre quem está contando no final do livro, começa com a data atual é como se ela estivesse lembrando do passado ou contando a si mesma, até me lembrou do filme Titanic em que a Rose senhora conta a história vivida a tantas décadas.
Me envolvi tanto com a leitura que após um tempo de convivência com as irmãs eu já tinha certeza de quem estava contando a história.
Vianne casou-se nova pelo fato de ter perdido a mãe cedo e o pai não soube conviver com a morte da esposa, desamparando um pouco as filhas, Vianne era casada e tinha uma filha linda e apaixonante Sophie, que inicia o livro ainda uma criança, o marido de Vianne parte para a guerra, ela professora continua trabalhando e cuidando de sua casa que era uma propriedade linda, com horta e várias plantas que ela mesmo cultivava.
Isabelle, era petulante, rebelde, terrivelmente rebelde do tipo que não aceita não como resposta que não aceitou o abuso da Alemanha sobre a França e foi distribuir panfletos para a resistência, e mesmo sabendo o risco que corria, cada dia ela se arriscava mais.
Onde Vianne morava foi atraída pelos Nazista, por ser um linda casa, ela teve que aquartelar um alemão o Capitão Beck, ele não era um ser humano tão terrível como os outros soldados, ele tinha um bom coração, e acredito que ele também não tinha muitas escolhas com as atitudes que tomava, era também uma questão de sobrevivência, durante sua estadia na casa de Vianne ele não deixou que elas passassem fome e nem que nada de ruim acontecesse a elas, vou ser sincera, até me simpatizei com o capitão Beck e tenho certeza que ele era um homem do bem, apesar de estar trabalhando para o Fuher.
Vianne longe do marido, capitão Beck também, tristeza, luta dia a dia, os bons vinhos que o Capitão Beck levava para os jantares deliciosos que Vianne preparava eu cheguei até querer um romance entre os dois, mesmo sabendo que era errado e os dois eram casados, mas a escritora logo soube me colocar no meu lugar, podemos assim dizer.
As surpresas que a autora prepara, são surpreendentes o tempo todo ela te surpreende e te faz repensar no ser humano que você é e nas atitudes que tomamos.
Isabelle uma hora dessas já estava em Paris trabalhando para a resistência, mas não só distribuindo panfletos e sim levando pilotos ianques de volta para os seus países para voltarem a lutar contra Hilter, nesse percurso se apaixona perdidamente, e se torna uma heroína, uma mulher muito corajosa, e mesmo com a terrível relação que tinha com o pai, seguiu as lutas diárias com o seu ideal de lutar pelo seu país.
Vianne e a filha emagrecera muito durante a guerra, pois a comida era escassa e passou por invernos terríveis, tiveram perdas cruéis e irreparáveis em suas vidas, o capitão Beck já não estava mais com elas dando lugar ao um novo soldado, porem um cruel que roubou muito delas e tirou tudo que uma mulher tem de mais sagrado.
De um país para o outro eu ia lendo as paginas que nem via as horas passarem, durante o livro elas mencionam muito Charles de Gaulle que me fez fazer a pesquisa mais afunda e conhecer melhor sua historia, também foi mencionado o arco do triunfo por Isabelle em dos trechos do livro, na qual tive o prazer de ver pessoalmente.
A maneira que a guerra foi terminando as coisas foram tomando o seu lugar novamente, o pai de Vianne e Isabelle me emocionou profundamente, em um ato que jamais imaginei que poderia ter acontecido.
Em relação a uma gravidez na historia,a primeira coisa que me veio em mente foi o aborto, mas depois a autora me mostrou que eu estava errada, não que eu seja a favor de aborto nada disso, mas a forma como aconteceu, as vezes no momento pensei isso, e depois fiquei triste comigo mesma em ter esse pensamento de imediato e acredito que seja normal e tenho certeza que outros leitores pensaram nisso também, afinal somos todos seres humanos passivos de erros.
O desfecho desse livro foi ainda mais intenso, cada personagem com um final diferente, nos mostrou que mesmo na guerra é preciso existir amor, e que as mulheres em uma guerra também são heroínas.

terça-feira, 19 de junho de 2018

O menino e o vagão


Eu nunca fui no circo, aconteceu alguma coisa na minha infância que me fez ter medo de palhaço.
Vou ser muito sincera se eu soubesse que essa história se passava em um circo não teria comprado o livro, mas geralmente eu compro sem nem ler a sinopse, gosto de comprar apenas pelo título, e foi assim que eu embarquei para uma viagem com o circo sem ao menos saber. (Leia até o final antes de julgar).
A história foi escrita intercalando entre Noa e Astrid, as protagonistas dessa ficção, Noa com 16 anos engravida de um soldado alemão, e por rejeição do pai é expulsa de casa, já Astrid uma mulher experiente que se casou com um soldado alemão.
Apesar de parecer duas histórias distintas, com o desenvolvimento as duas se unem e se tornam muito mais que amigas, se tornam uma família da outra, essa não é uma história com final plenamente feliz, nem um romance com desfecho esperado, é uma história de amor, fidelidade e redenção.
Conforme o avanço da guerra Hitler solicita que soldados alemães que estejam casados com mulheres Judias se separem e todo casamento iria se anular automaticamente, Astrid era de família circense judeu e com essa nova "lei" de Hitler ela retorna a casa de seus pais, que por sinal já não estavam mais lá, e resolve bater na casa de um vizinho também dono de circo que até então era um concorrente de sua família, o Herr Neuhoff que não só a acolhe como também a esconde dos nazistas e lhe devolve o talento nato de trapezista.
Noa, dá a luz ao bebê que é tomado pelo Reich, pelo fato de ser mãe solteira e desamparada e sem muita escolha parte do hospital sem a criança e vai morar em uma estação para ir levando sua vidinha, porém encontra um vagão repleto de bebês, a maioria sem vida, mas algo muda sua vida para sempre, ela encontra um bebê menino ainda com vida, com muito frio e fome, sem pensar duas vezes ela o acolhe em seus braços, durante a leitura eu me peguei pensando, que corajosa, não pôde ficar com o seu bebê, mas está salvando outro.
Peter era um dos palhaços do circo que começou a namorar Astrid, apesar dela ser bem firme em relação aos homens, Peter tirou a sorte grande e arrebatou o coração da moça.
Noa foge com o bebê, antes que alguém perceba ela já estava longe, andou muito e percorreu vários quilômetros carregando o bebê no colo, por sorte Peter o palhaço a encontra e por ter um coração bondoso a leva para o circo imediatamente, durante essa parte foram intercalados os pontos de vistas das protagonistas, algo que eu achei muito inteligente e me fez não desgrudar das páginas tão cedo.
Logo Herr Neuhoff com o seu enorme coração ampara Noa e dá a ela a chance de sobrevivência juntamente com o bebê, mas com uma missão de se apresentar no trapézio juntamente com Astrid.
No desenrolar da trama, pesquisei vários vídeos no Youtube de trapezistas e circos, pois como mencionei no início eu nunca fui no circo e apesar de já ter assistido na televisão, quis aguçar os meus instintos, pois durante a leitura existe bastante descrições das manobras que as artistas executavam.
A vida no circo não é fácil, os treinos para as apresentações são muito puxados, e muitas vezes é um trabalho sem reconhecimento, o pobre do palhaço alegra a todos, mas as vezes ele é a pessoa mais triste do circo, e apesar do Peter ter o amor de Astrid ele guarda consigo um segredo que é revelado, fiquei apaixonada por Peter e pude imaginar ele um homem fantástico e muito corajoso.
Muitas apresentações aconteceram, alguns tiveram que partir, e um novo personagem aparece na história para deixar o coração de Noa (e o meu também) completamente apaixonado.
Impossível não chorar, ainda mais porque eu estava lendo os últimos capítulos na véspera do meu casamento, cheguei ao final e pude perceber como mudei o meu ponto de vista em relação ao circo, e aquele problema que eu tinha que mencionei nos primeiros parágrafos eu creio que não tenho mais, cheguei a cogitar um ida no circo ainda nesse ano, para poder contemplar de perto o trabalho das trapezistas e de todos os artistas.
O preconceito é algo que vive dentro da gente, por falta de informação, ou por outros motivos, eu não tinha preconceito, mas eu era bem resistente quando o assunto era palhaço e circo, percebe-se que o livro consegue transformar uma pessoa, e sem dúvidas o menino e o vagão, não só me fez chorar, como me provou que a cultura circense é rica em história e cultura.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A Livraria Mágica de Paris


Vou ter que contar uma coisa pra vocês, o livreiro Jean Perdu ganhou meu coração, me cativou aos poucos, em cada página ele me cativava mais, não sei se foi por que temos algo em comum: amamos livros e gostamos muito de gatos, ou se foi porque ele realmente é encantador.
Iniciei essa viagem a Paris com Jean, que não é só um simples livreiro, Jean tem o dom de curar as doenças do coração, um verdadeiro "farmacêutico literário", ele acredita que o livro pode curar muitas feridas da alma (eu também acredito), mas como diz o ditado: "santo de casa não faz milagre", pois ele mesmo tem uma dor incurável, uma dor do passado, que descreve uma melancolia tão intensa que fez Jean sofrer por 21 anos.
Durante todos esses anos Jean ignora uma carta que sua amante deixou enquanto ele dormia, ele nunca entendeu porque sua amada partiu, porque partiu sem ao menos se despedir, sem deixar satisfação, sem conversar e tentar resolver o que fosse, o orgulho falou mais alto, ele guardou a carta e não abriu, não quis saber a resposta porque foi abandonado por sua amada.
Um acontecimento faz com que Jean abra a carta, enfrente o seu passado e o faz pegar o barco literário e viajar pelos rios da França, em uma aventura sem tamanho, sai em viagem com o seu vizinho e jovem escritor que estava sem inspiração.
Mas durante o percurso, muitas águas vão rolar(literalmente), muita coisa acontece, muitos lugares eles passam, muita gente entra nessa aventura fascinante, a escritora consegue te levar nessa viagem, transmitir o aroma do vinho, o perfume de lavanda, o doce gelato da França e tantas novas culturas.
Quando parti em viagem para a França (dessa vez de verdade) nesse ano, fui guiada pelos instintos literários que havia lido no livro, por mais incrível que parece, quando passei pelo rio Sena logo pensei em Jean Perdu, como se ele fosse um amigo próximo.
Percorrendo as ruas de Paris fiquei imaginando Perdu perambulando por ali, é incrível o que um livro consegue fazer, consegue nos levar em um lugar sem sair de casa, o livro realmente é a cura para os males da alma.
Infelizmente não consigo expressar os meus sentimentos em tudo que vivenciei em Paris, no primeiro dia que cheguei a Paris, deixamos as malas no hotel e fomos a pé percorrendo uma ruazinha a procura de um restaurante e durante o percurso fui contando para o meu marido a história desse livro, o dia estava nublado, um pouco frio, mas muito agradável para um primeiro dia.
Durante a minha viagem a Paris estava lendo outro livro que postarei em breve aqui: O Rouxinol, um livro lindo, que se passa na França também com trechos em Paris.
A Europa é uma museu de histórias, Paris é mais incrível ainda pessoalmente, já tinha esse conhecimento através dos livros, mas Paris consegue te arrancar lágrimas, e deixar de boca aberta com tanta beleza em um único lugar.
Ah, e o Jean Perdu?! Ah, o Jean vai muito bem, o final do livro me fez chorar, como manteiga derretida, não esperava que fosse gostar tanto desse livro como gostei.